O Meio e o Si

Seu blog de variedades, do trivial ao existencial.

Crítica a Leandro Karnal: religião e sociedade

leandro karnal

Uma amiga, leitora deste blog, pediu minha opinião sobre as palestras do filósofo e historiador Leandro Karnal, no YouTube. Segundo ela, Dr. Leandro teria visão bastante equilibrada sobre o tema da religião, que abordo com frequência. Segui a sugestão e assisti a dois de seus vídeos: Confrontos Religiosos e Temor e Tremor.

Antes de qualquer coisa, faço questão de exaltar a qualidade das apresentações. Realmente, Dr. Leandro possui erudição ímpar, além de ser um orador fantástico. Articula suas ideias de maneira impecável, com intermináveis referências históricas e filosóficas, além de possuir agradável senso de humor. Aprendi bastante com suas palestras e fiquei com vontade de ver mais.

Tendo dito isso tudo, Dr. Leandro tem ao menos cinco posições das quais discordo:

  1. Nenhuma religião é inerentemente mais nociva que as outras

Dr. Leandro adota a postura muito comum e politicamente correta de nivelar todas as religiões. Por exemplo, diz coisas como “toda religião não é inerentemente nem pacífica nem violenta, depende da interpretação” ou “todo fundamentalismo é semelhante”. A meu ver, trata-se mais de um esforço em não ofender ninguém do que uma análise objetiva.

Não vamos tapar o sol com a peneira: algumas religiões são sim inerentemente mais violentas que outras. Não é possível compararmos, por exemplo, as três grandes religiões monoteístas com o budismo ou o jainismo indiano. Os textos judaico, cristão e muçulmano estão repletos (embora não exclusivamente) de violência e intolerância, enquanto que os budistas e os jainistas são inequivocamente pacíficos e pregam a harmonia e a compaixão. Conforme exemplo clássico dado pelo o neurocientista Sam Harris, a última pessoa com a qual precisaríamos nos preocupar seria um “fundamentalista jainista”. A interpretação literal de suas escrituras o faria passar a maior parte do tempo meditando, praticando compaixão, e tendo o cuidado para não maltratar uma formiga sequer.

Dr. Leandro vai adiante e diz que, assim como há fundamentalistas islâmicos, temos o caso de monges budistas que cometem violência, como se fossem problemas de natureza e escala comparáveis. Trata-se de uma comparação absurda. Além da “violência budista” ocorrer com muito menos frequência, a prática budista de forma alguma dá espaço para esse tipo de conduta. Muito pelo contrário. Se algum budista comete ato de violência, não o está fazendo por ser budista, mas sim apesar de sê-lo. Está indo contra os ensinamentos. Por outro lado, fundamentalistas islâmicos – ou, no passado, inquisidores católicos – cometem atrocidades porque as escrituras sagradas oferecem justificativa para tal.

  1. Devemos contextualizar práticas consideradas opressivas

Dr. Leandro utiliza de relativismo cultural como justificativa para aceitarmos o tratamento das mulheres no mundo islâmico. Fiquei inclusive chocado com a romantização dessa questão, que considerei no mínimo naïve.  O professor diz, por exemplo, que o uso da burca causa estranheza entre nós, assim como o uso do Botox entre mulheres ocidentais deve causar estranheza no oriente. Sugere inclusive que a burca possa ser vista como vestimenta “sexy” naquele contexto e que devemos aceitar nossas diferenças culturais.

No entanto, ele ignora uma questão fundamental: as mulheres ocidentais têm a opção de não usar Botox caso não queiram! Como sabemos, isso nem sempre é verdade no caso da burca. E, na realidade, esta é apenas a ponta do iceberg.

Será que devemos aceitar também a mutilação genital feminina? Os casamentos forçados de meninas de dez ou doze anos de idade, muitas vezes com maridos abusivos? A semiescravidão vivida por tantas mulheres, que até para sair de casa precisam da companhia de um homem? A proibição que algumas mulheres sofrem ao direito de estudar? Dr. Leandro conhece o sofrimento e ativismo de mulheres como Malala Yousafzai e a somaliana Ayaan Hirsi Magan, que ele próprio cita em uma de suas palestras, e por isso fiquei surpreso com sua posição.

Como desenvolvo em outro post, em pleno século XXI, certos direitos humanos devem se tornar universais. Caso contrário, até grupos como o Estado Islâmico ou Boko Haram sempre encontrarão justificativa “cultural” para suas atrocidades. Embora concorde que haja uma linha tênue entre o respeito por práticas socioculturais e influências de valores externos, devemos, como sociedade global, discutir onde estabelecemos limites.

  1. Regimes ateus

Dr. Leandro afirma também que, na história, tantas atrocidades foram cometidas por “regimes ateus” quanto em nome da religião. Previsivelmente, citou os casos de Stalin na União Soviética e Mao na China. No entanto, existem duas falhas nesse argumento.

Primeiro, ateísmo não é doutrina, não é norteador, muito menos regime. Ateísmo, por definição, “não é”. A-teu, quer dizer “não-(negação a)-Deus”, não oferecendo nenhuma idéia de como ser. Não existe um manifesto ateu, uma bíblia atéia, um código de conduta. Ou seja, nada que Stalin ou Mao tenham feito foi em nome do ateísmo. Seus regimes foram principalmente movimentos políticos de conquista e manutenção de poder.

Segundo, ironicamente, Stalinismo e Maoísmo tinham todas as características de religiões. Assim como hoje na Coréia do Norte, foram regimes apoiados em dogma e doutrina, onde a figura do ditador é literalmente a de um deus. Na Coréia do Norte, por exemplo, espalham-se estórias como a de que o Líder não urina ou defeca, que é imortal, ou seja, assume uma figura sobre-humana, típica de idolatria, de culto. Esses regimes se denominam ateus justamente porque querem o monopólio da idolatria; não querem competir com outros deuses.

Idealmente, um regime ateu nada mais seria que um estado laico, onde religião simplesmente não fizesse parte da discussão. Cada um teria a liberdade de crer ou não crer no que quisesse, sem que isso influenciasse política ou governo.

  1. Religiosidade, educação, desenvolvimento

Dr. Leandro fez duas colocações relacionadas que me surpreenderam. Primeiro, que não existe correlação entre nível de educação e religiosidade. Segundo, que não há evidência que o mundo hoje seja menos religioso que há 200 anos.

Existem inúmeros estudos mostrando correlação negativa entre nível de escolaridade e religiosidade, principalmente no ocidente. Por exemplo, a proporção de ateus e agnósticos é tipicamente maior entre mestres e doutores comparado com bacharéis; a distância é maior ainda entre bacharéis e pessoas com formação primária, e assim por diante. Em nível nacional, basta ver a lista dos países mais seculares e dos mais religiosos para a relação desenvolvimento/educação e secularismo tornar-se evidente (fonte: Huffington Post/Gallup). Mais seculares: Japão, Holanda, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Austrália, Inglaterra. Mais religiosos: Gana, Nigéria, Iraque, Romênia, Quênia, Macedônia, Brasil. Embora a causalidade possa ser discutida, a correlação é clara.

Quanto ao mundo de 200 anos atrás em relação ao de hoje, vale lembrar que estamos comparando uma era pré-Darwin com uma pós-Darwin. Antes da teoria da evolução das espécies por seleção natural, no final do século XIX, ninguém em sã consciência não era religioso. Eram muitas perguntas sem respostas. Mas Darwin foi um divisor de águas, e o mundo de hoje é sem sombra de dúvidas mais secular do que o mundo de dois séculos atrás.

Diversas pesquisas, inclusive uma recente do respeitadíssimo Pew Research (2015), mostram quantidade crescente de ateus e agnósticos ao longo das últimas décadas, principalmente nas sociedades ocidentais. Os millennials, jovens que cresceram com a internet e acesso irrestrito à informação, são a geração mais secular que já houve.

  1. Ciência e religião são compatíveis

Dr. Leandro é dos que crê que ciência e religião sejam compatíveis. Acredito que, dentro de um contexto intelectualmente honesto, não o sejam. A ciência, por definição, busca a verdade, os fatos, a prova de hipóteses através da evidência, do empirismo. Promove contestação, investigação, acolhe o erro. A religião, por sua vez, se baseia em dogma, em verdades absolutas e incontestáveis. É impossível conciliar, por exemplo, a história de Adão e Eva com a teoria da evolução das espécies. Qualquer tentativa de fazê-lo logo se revela apelativa e irracional.

Um argumento aceito por alguns é o de que a religião preenche os espaços deixados pela ciência. Mas essa relação é um vínculo artificial, desenvolvido pela exclusão, e em constante enfraquecimento de acordo com novas descobertas científicas e amadurecimento filosófico. Embora provavelmente sempre tenhamos questões não respondidas pela ciência, uma postura verdadeiramente compatível seria a de admitir nossa ignorância quanto aos mistérios vigentes. Nos apegar ao sobrenatural e a estórias milenares infundadas não torna o vínculo entre religião e ciência compatível.

Naturalmente, os pontos acima são parte de uma discussão fértil e subjetiva, onde ninguém está necessariamente certo ou errado. Reafirmo minha admiração pelo Dr. Leandro e estou aberto ao diálogo com ele e com os leitores.

Veja também Religião, Ética e Moral. Fotografia: lisandronogueira.com.br

 

 

168 comentários em “Crítica a Leandro Karnal: religião e sociedade

  1. JURANDIR ANTONIO MANOEL
    16 de outubro de 2016

    A Bíblia jamais ofereceu subsídio às atrocidades cometidas através da Inquisição que, ressalte-se, não partiu do catolicismo, embora regulamentada por ele. De qualquer forma, o Santo Papa de forma expressa menciona que a atitude da Igreja foi injustificável, o que corrobora que a Bíblia vista como um todo não justificou essas atrocidades. Jesus foi nitidamente exemplo de amor e tolerância e não é certo anunciar o cristianismo com base em alguns cristãos não esclarecidos.

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  2. johnmarksbr
    30 de setembro de 2016

    Conheci Karnal, há algum tempo, no Café Filosófico. Depois o vi conquistar o Brasil; tornando-se muito famoso. No facebook acompanho a página oficial dele e de fãs. Contudo nesta última semana de setembro eu tive uma certa surpresa. Ao postar em sua página oficial, Karnal comentou ter conversado, também, com Luciano Hulk. Deu a entender que ele seria convidado a participar do Caldeirão. Choveram críticas e uma foi minha: “Prof. de Café filosófico para Caldeirão do Hulk é um declínio vertiginoso, não? ”. Duas pessoas responderam à minha postagem e eu respondi devolta. Contudo ao tentar enviar a última resposta fui informado que o Post havia sido deletado e não demorou para eu perceber que fui “banido” da página, doravante sendo impossibilitado de tecer comentários na página oficial de carnal. Bem… a minha surpresa foi ver uma pessoa quem tem aversão ferrenha à Ditadura ter uma “atitude de Censura”. Se não me engano de muitos foi o meu primeiro comentário criticando; os anteriores eram só elogio. Pergunto-me: Então para o “sábio” Karnal, só serve elogios, bajulações, enaltecimento, +afins?

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  3. Procopio
    12 de setembro de 2016

    Parabéns! Você parece ter honestidade intelectual!

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  4. Anita Magalhães
    3 de setembro de 2016

    Fica uma pergunta, o que fazer com fenômenos como aparições divinas, as quais nao são contestadas, muitas presenciadas pelos santos, bem como milagres como os de irmã Faustina, santa terezinga, etc. Estaria, tereza D avila, padre pio, com transtornos mentais? Nao parece estranho a fauna e flora, a serviço do homem, a grande gama de vegetais , para o prazer e deleite do homem? Se o matemático oswald de souza jogar a probabilidade de tudo isto ser apenas uma coincidência, eu diria então que ganhar na loteria seria muito mais razoável, pois nao eh possivel tantas coincidências levando toda uma gente envolvida no milagre do som, musica, tato, paladar, sentimentos emoções, nos diferenciando , como deuses no planeta? Sim, existe algo, e a Bíblia eh muito complexa, coerente, os profetas tinham fé pública. Este leandro karnal navega na dialética com muita facilidade, infelizmente, como formador fe opiniao, so tenho a lamentar. Boa noite, ou melhor, bom dia, pois eh madrugada, reparaste vcs, no tempo, nesta sincronia, na proporção geométrica, nos girassois, nos redemoinhos, quanto milagre ao acaso, heim?

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  5. Mônica Rosa
    30 de agosto de 2016

    Bom dia,
    Ach muito interessante e com uma visão privilegiada, parabéns por ter conseguido este patamar.

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  6. aristeu adão duarte
    17 de agosto de 2016

    Sem entrar na religião, e já entrando, é incrível lembrar que há uma citação bíblica falando que é preciso vomitar os mornos e se ficar com os frios ou quentes… Leandro Karnal é quente, causando polêmica, debates acalorados como podemos ver aqui neste belo espaço dialógico! Outra citação, mais brega: ninguém chuta cachorro morto. Assim Leandro Karnal faz a diferença por sua fala viva, dinâmica, profundamente articulada com o nosso tempo, crítica, sobretudo saborosa e que por ser assim incomoda muita gente, desinstaladora das zonas de conforto intelectual! Muito bom esse debate! É assim que se constrói o conhecimento!

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  7. Dimas Queiroz
    15 de agosto de 2016

    “Há sabedoria em não crer saber aquilo que tu não sabes”.
    Sócratis

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  8. Márcia
    28 de julho de 2016

    Excelente argumentação, pois, temos hoje um monte alienados querendo impor a sua verdade. Porém, maiora das, ninguém quer respeitar a cultura do outro, isso é bem claro. E usam nome de Deus para se defender, sem saber que Deus e Jesus Cristo nos deixou a mensagem ” não faça com os outro o que não queiras que seja feito com você”. Respeito as diferenças.

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  9. jose caldas
    28 de julho de 2016

    A discussão é muito válida.

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  10. Gilmar ribeiro
    27 de julho de 2016

    Excelentes observações

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  11. Rafael Paz
    18 de julho de 2016

    Muito bom o post! Gosto muito do Karnal, mas de fato suas refutações fazem todo sentido.

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  12. Glaucio
    17 de julho de 2016

    Quando falam em religião, não citan a religão judaica. Por quê?

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    • omeioeosi
      18 de julho de 2016

      O judaísmo é mencionado no ponto 1, junto com as outras monoteístas. Abs.

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    • Myriam Fantichelli
      19 de julho de 2016

      Olá. Judaísmo não é religião, é etnia. Eles seguem o mesmo Deus cristão, mas não seguem à Cristo.

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    • Myriam Fantichelli
      19 de julho de 2016

      Judaísmo não é religião, é etnia. |Eles seguem o mesmo Deus cristão, mas não a Cristo.

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      • omeioeosi
        27 de julho de 2016

        Você está enganada. Judaísmo é religião sim, até mais que etnia (há controversas quanto ao último). Tanto que existem judeus brancos, negros, asiáticos etc, provindos de diferentes tribos – além de convertidos, claro (ninguém se converte a uma etnia). E o Deus que seguem não é “cristão”, é na verdade “judeu”, dado que o judaísmo foi a primeira das 3 religiões monoteístas (veja história de Abrãao). Mas sim, judaísmo, cristianismo e islamismo seguem supostamente o mesmo Deus. Abs.

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  13. Cláudio Celso Monteiro Júnior
    4 de julho de 2016

    Puta cara escroque, reducionista, reacionário….um farsante ! O Yçami Tiba da História

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    • monica c m
      4 de setembro de 2016

      O Sr.Leandro faz uma reflexāo sobre a sociedade maravilhosa, nao o vejo impondo suas idéias mas apresenta fatos do mundo em que vivemos. A vida é livre, temos o livre arbítrio, as idéias sao atemporais , isto é mais importante que tudo, Sr.Claudio, acredito que cada um descobrirá a verdade no seu interior -na consciência pura agora abafada pelo ego – no tempo certo. Nāo entendo como enxergou “reacionário”! Fique bem.

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  14. Tiago
    1 de julho de 2016

    Gostaria de criticar alguns pontos.

    Ítem 1: Concordo plenamente contigo.

    Ítem 2: Parece-me óbvio que práticas devam ser contextualizadas. Entendo a preocupação de que tal postura dê margem para que aceitemos coisas como o casamento de uma menina de 6 anos. Mas eu concordo que não se pode simplesmente partir do ponto de que o que outra sociedade faz é errado. É difícil se colocar na posição do outro. Certa vez discuti com uma mulher que dizia que a prática de ordenar adolescentes monges por um determinado período de tempo (comum em países do sudeste asiático) não era necessariamente um “abuso infantil”, como ela disse. Ela argumentava que ordenar crianças e jovens era uma violação do direito da criança à liberdade. Recordei à ela que nossas sociedades obrigam também às crianças à irem à escola. Ela retrucou que a escola era mais libertadora e plural do que a religião. Ora, não pude deixar de perguntar no que ela se baseava para afirmar que um mosteiro budista na Tailândia é mais ou menos opressor e obscurantista que nossas escolas. Eu tenho um amigo tailandês que lembra com carinho o tempo em que foi monge e é um motivo de orgulho enorme para ele e para a família. Nem sempre nos lembramos dos nossos tempos de escola com o mesmo respeito e gratidão. A escola pode ser tão obscura e opressora do que o pior convento. Vamos ser sinceros: nossas escolas tem cumprido o papel de libertação e emancipação que deveriam ter?
    Quando olhamos para um traço cultural de outro povo, é sempre bom tentar entendê-lo a partir de sua lógica interna. É um exercício de tolerância importante. Claro que não estou dizendo que temos que bater palmas pra escravidão infantil ou coisas do tipo, mas acho que há forte preconceito da sociedade moderna com tudo que ela identifica como arcaico ou bárbaro.

    Ítem 3: Tenho que discordar mais uma vez. O fato de eu negar uma coisa, não faz dessa negação uma “não-doutrina”. Pelo contrário, uma forte negação de uma ideia pode sugerir simplesmente uma inversão dela. Inverter uma ideia faz com que se opere dentro da mesma lógica da proposta que está sendo atacada. Se a Igreja era opressora e obrigava as pessoas a se voltarem para Deus, a inversão disso foi negar Deus e obrigar as pessoas a negá-lo também. Veja que, nesse caso, a estrutura coercitiva é mantida, mudando-se diametralmente apenas o sentido da opressão. De certa forma, boa parte do Iluminismo, do Racionalismo, do cientificismo, buscaram fazer essa inversão. Claro que muita gente inteligente já reviu essas posturas puramente reativas do século XIX e parte do XX, mas é fato que o comunismo, herdeiro desse movimento, bebeu das fontes anti-religiosas do ateísmo reativo novecentista. Lembremos que Marx busca criar um socialismo científico, em oposição ao que ele julga ser um socialismo não-científico. O comunismo faz parte do mesmo paradigma que vem procurando derrubar o paradigma metafísico das religiões. É forçar um pouco a barra desvincular totalmente o comunismo do ateísmo cientificista de outrora. Dizer que “nada que Stalin ou Mao tenham feito foi em nome do ateísmo. Seus regimes foram principalmente movimentos políticos de conquista e manutenção de poder” é repetir o argumento cristão de que a Igreja nada tem a ver com o Imperialismo, pois ela teria sido apenas usada pelos instrumentos políticos da época. A verdade é que tanto religiosos quanto defensores da ciência e/ou ateísmo adoram jogar sua sujeira para debaixo do tapete. A Ciência, por exemplo, foi tão aliada dos colonizadores europeus quanto a Igreja. Ambas foram colonizadoras e imperialistas. Cada uma delas tem seu “carma” para enfrentar.

    Ítem 4: A correlação existe, mas como você mesmo salientou, a causalidade é discutível. É a educação que faz a religião recuar ou é o mega capitalismo ultra-materialista? Além disso, são as religiões que estão decaindo ou apenas as religiões organizadas tais quais nós conhecemos? As pessoas vão menos nas igrejas, mas os livros de auto-ajuda vendem milhões (aquilo é religião barata de quinta categoria) e as pessoas compartilham na internet coisas como “Ai, eu não aceito isso por que eu sou ariano e você já viu, né?”. As crenças continuam aparecendo de outras formas.
    Concordo que o ateísmo tende a crescer, pois a pluralidade do mundo moderno possibilita a escolha de mais opções, mas sou obrigado a concordar que nada indica que a sociedade hoje seja menos religiosa que há 200 anos. É provável que os mais céticos apenas tenham a possibilidade de se assumir mais hoje. E, como disse, as pessoas continuam sendo religiosas, mas de outras maneiras. É difícil fazer previsão sobre o futuro. Mas eu apostaria que as religiões vão continuar fortes, mas surgirão formas de organização religiosas que ainda não conhecemos ou entendemos plenamente.
    PS: não vejo o impacto de Darwin como essencial para essas mudanças. Pra mim tem mais a ver com o avanço do capitalismo. Mas sei que é um tema polêmico. Lembre-se que há sociedade para as quais Darwin não é um problema religioso, como os países budistas. O Budismo não é criacionista. Darwin, portanto, tem um impacto bem menor para os convicções religiosas dos japoneses, por exemplo. O que vai causar a forte secularização do Japão será a ocidentalização, a transformação do país numa sociedade nos moldes do capitalismo e dos valores liberais norte-americanos.

    Ítem 5: Eu discordo quando diz que “A ciência, por definição, busca a verdade, os fatos, a prova de hipóteses através da evidência, do empirismo. Promove contestação, investigação, acolhe o erro”. Isso me parece mais uma definição de como ela deveria ser do que como ela é. É igual um cristão que diz que o Cristianismo é a religião de paz e amor. Bom, deveria ser, né?
    Eu acho que a ciência tem seus dogmas também. É verdade que há a crítica e a aceitação do erro. Mas, convenhamos, até a religião muda. É uma ideia errada afirmar que a religião é 100% inflexível. Ela também muda. Se estudarmos a história da Igreja, veremos grandes mudanças ao longo do tempo.
    Mas eu entendo que você ache que as duas são incompatíveis (apesar de não estar certo se concordo). Entretanto, não se esqueça das contradições humanas. As pessoas nunca serão 100% coerentes. Existiam cristãos comunistas em plena guerra fria. Parece-me possível que haja cientistas religiosos.

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    • omeioeosi
      4 de julho de 2016

      Obrigado por deixar sua opinião. Abs.

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    • Giuliano
      26 de julho de 2016

      Olá, gostaria de fazer alguns apontamentos a respeito dos argumentos do autor e dos comentários do Tiago. Estou iniciando uma fase de aprendizado em alguns assuntos filosóficos e procuro formar minha opinião a respeito de temas polêmicos, então peço aos leitores que por favor levem em consideração minha inexperiência, e que por favor corrijam meu raciocínio caso encontrem falhas:

      Bem, quanto ao item 1, concordo com ambos.

      Quanto ao item 2, concordo em partes com o Tiago,mas entendo o que o autor quis dizer. Basicamente, o relativismo cultural diz que a moralidade, as práticas e as crenças funcionam de formas diferentes em culturas diferentes; e por isso não é possível julgar uma cultura de acordo com os pontos de vista de outra. Então, de acordo com esta linha de pensamento, não faz sentido uma cultura medir a qualidade de outra. E aí entra o papel do “contexto” para que compreendemos alguns atos. Por exemplo, a mutilação genital feminina é vista, nos países onde é praticada, como uma forma de purificar a mulher (já que consideram os órgãos sexuais impuros), de desencorajar a promiscuidade sexual, e que tal prática aumenta a feminilidade da mulher.Em alguns lugares é também uma espécie de requisito para ela poder se casar, já que a maioria dos homens não aceitam mulheres que não foram mutiladas.
      Não estou defendendo esta prática muito menos me posicionando a favor, apenas citando algumas razões culturais, que pesquisei neste site: http://www.amnistia-internacional.pt/index.php?option=com_content&id=48:mutilacao-genital-feminina-perguntas-frequentes&Itemid=73

      Entretanto, acredito que quando uma pessoa dá a si mesmo o direito da dúvida, do questionamento, da investigação lógica…ou entrando em contato com outra cultura,ou seja, um outro conjunto de valores e costumes, ela possui o direito de escolher quais serão seus valores pessoais. Continuando o exemplo do parágrafo anterior, uma pessoa que sofreu aquela ação pode vir a descobrir que existem lugares no mundo onde mulheres não precisam passar por toda aquela dor física para se casar, para ter uma família, para serem consideradas mulheres ou para não serem excluídas socialmente. Pode vir a descobrir também que muitas doenças ou infecções decorrentes da prática de mutilação dos órgãos genitais não são consequência de feitiçaria, mas das péssimas condições higiênicas na ocasião da “cerimônia” e dela em si. Então, acho relevante o seguinte questionamento: até que ponto, ou sob quais condições, algumas práticas serão continuadas em nome da identidade cultural?
      Entendo que o relativismo cultural nos diz para não julgar os que cometeram aquelas mutilações, menosprezar seus valores, considerá-los inferiores ou puni-los de acordo com nossa moral. Mas será que isso significa não fazermos nada? Ou seria melhor se falássemos às jovens das comunidades tradicionais, mostrando a elas que existem outras possibilidades:”olha, as coisas não precisam ser assim. Há outras formas de ver o mundo e de se viver.”? Seria ofender a identidade cultural daqueles grupos? Ou seria ajudar pessoas a exercitarem seu livre-arbítrio e capacidade de pensamento, amenizando seu sofrimento físico e psíquico?

      Quanto ao item 3:
      Concordo com o autor, discordando do Tiago.
      Primeiramente, não consigo entender o ateísmo como doutrina. O significado da palavra é ausência de crenças, não crença na ausência. Não vejo como provar a inexistência de um Deus,e pelo que sei este não é o objetivo dos ateus. O que eles argumentam é que não existem (ao menos atualmente) argumentos que comprovem a existência de algum Deus. Pra mim é óbvio que a ausência de evidências não é evidência de ausência e acho que para os ateus também. Na minha opinião, isso se parece mais com uma posição cética, não com uma doutrina.

      Embora sabendo pouco a respeito da relação entre comunismo e ateísmo, acho que há uma diferença entre crença e instituição(igreja). Também, não é necessário acreditar em algum Deus para ser solidário, amar as pessoas etc…assim como ter fé em um Deus amoroso não isenta o indivíduo de cometer atos como tortura (Inquisição), escravizar outras pessoas etc… Acredito que a relação entre conduta, moral, a construção da personalidade de uma pessoa (mais especificamente nas que representam autoridades governamentais) e religião ou ausência dela é muito mais complexa do que parece, as crenças ou a ausência delas estão muito longe de serem as únicas coisas que moldam o perfil de um pessoa e por extensão de um governante.

      E uma observação também é que o comunismo verdadeiro nunca foi experimentado plenamente. Ao meu ver, os governos de esquerda trouxeram algumas melhorias sociais (à princípio) em alguns países, mas deturparam aquilo que poderia ser socialismo transformando o governo em ditaduras particulares.

      Item 4: O termo religioso foi usado no sentido de crença seja qual for ou naquelas “tradicionais”? Por exemplo, se a ideia propagada pelo sistema capitalista que a felicidade ou satisfação pessoal está em ser bem sucedido financeiramente for considerada uma crença, então concordo que não há muitas evidências de que o mundo de hoje está muito menos religioso.
      De qualquer forma, acho que as pessoas estão mais individualistas, materialistas, imediatistas e menos preocupadas com Deus do que há 200 anos.

      Item 5: Concordo com o autor. Embora, na história da ciência, tenha ocorrido fraudes e enganos, e de haver pesquisas encomendadas para “provarem” ideias pré- estabelecidas, acho que a maioria das pessoas que fazem ciência são sérias, responsáveis e competentes, e que esta é a forma mais segura e “pé no chão” para se adquirir conhecimento. Eistein disse uma vez que,mesmo nossa ciência sendo primitiva em comparação com a realidade, é o bem mais precioso que temos. Quanto aos cientistas religiosos, acredito que eles usam a religião para preencher a falta de metafísica e sentido existencial (aproximando-se mais à filosofia da religião do que nas crenças fundamentalistas) ,áreas que não são assuntos que a ciência trata, já que ela trata do mundo material, não podendo estender-se ao imaterial, o metafísico. Então, desde que eles saibam separar conhecimento científico das suas crenças pessoais não acho uma contradição absurda.Todavia, existem os cientistas mais céticos também, que quase não possuem crença alguma. Assim, não acho que fé e ciência andam juntas.Tudo bem que a Igreja não é 100 por cento inflexível…mas ela mudou em grande parte para continuar existindo, para se adaptar, em alguns casos devido a descobertas científicas, em outros casos porque os valores da sociedade mudam, as pessoas mudam. Apesar disso, a discrepância entre fé e ciência (que é cética) sempre existirá.
      Fiquei surpreso quando vi no comentário que a ciência também possui seus dogmas. Gostaria de saber quais são, já que sempre pensei que o dogma e a não liberdade de pensamento sempre fossem inimigos dela.

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      • omeioeosi
        27 de julho de 2016

        Obrigado por contribuir com suas interessantes e honestas reflexões! Abraços e volte sempre!

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      • Tiago
        27 de julho de 2016

        Giuliano, respondo diretamente a você.
        É óbvio que eu sou contra a mutilação genital, mas você foi num exemplo extremo, o que acaba deslizando para uma falácia argumentativa, como se defender que culturas possam se auto referendar significasse apoiar mutilação genital. Eu usei um exemplo mais prático e comum, comparando a obrigação da ordenação de monges com a obrigação de ir à escola. A dúvida é: a escola que temos aqui no “ocidente” é realmente superior a um templo budista lá no Myanmar para a vida de uma criança?
        Sobre o ateísmo como doutrina, não entendi o comentário. Minha fala não tem nada a ver com o fato dela ser doutrina ou não. Eu disse que o ateísmo novecentista faz parte do mesmo paradigma cientificista de onde veio o comunismo e que tentar desvencilhá-los é desonestidade intelectual ou ignorância histórica. O comunismo massacrou em nome da ciência, do progresso, da razão, etc. É só fazer uma pesquisa básica para perceber isso. Não basta também dizer que o comunismo que existiu não é o comunismo “de verdade”. Essa é a mesma coisa que os religiosos dizem. Toda vez que jogamos na cara de um cristão a história sombria do cristianismo, eles dizem que a parte ruim não é o cristianismo de verdade. É fácil escolher só a parte boa como sendo “de verdade” e jogar a parte suja para debaixo do tapete.
        Você afirma que a maioria das pessoas que fez ciência eram sérias, competentes e bem intencionadas. Veja como mais uma vez a sua fala se aproxima do discurso religioso. É exatamente o que os religiosos dizem sobre si mesmos. Mas a verdade é que tanto religiosos quanto cientistas cometeram todo tipo de atrocidades em nome do que acreditavam. A ciência colaborou E MUITO para o Imperialismo na África e na Ásia. A ciência colaborou muitíssimo para o racismo. A ciência já disse que negros eram inferiores. A ciência já mediu o crânio de africanos para “provar” que eles eram inferiores. De onde acha que surgiu o termo “mongolóide”? De uma associação que cientistas europeus fizeram entre ser portador de Síndrome de Down e ser asiático (já que o termo mongolóide significa também asiático). E sabe porque pouca gente sabe disso? Porque a ciência, assim como a religião, seleciona só a parte bonita para colocar nos seus livros de História.
        A grande questão é: eu vejo muitos ateus inflando o peito para falar mal das religiões (não que elas não mereçam críticas, pois merecem), mas não são críticos ou não estão cientes do teto de vidro que a ciência tem. Vejo muita gente criticando a religião pela associação escusa com o capitalismo, mas quantas pessoas criticam as relações obscuras da ciência com setores do capitalismo, como a indústria farmacêutica?
        Pesquise sobre a história da ciência e veja se realmente o dogma e a não liberdade de pensamento sempre foram inimigas da ciência. Uma leitura sobre a relação entre a ciência e a colonização vai demolir essa ideia rapidinho. Uma coisa, eu repito, é como uma ideia deveria ser, outra coisa é como ele é de fato. No papel, tudo é lindo e maravilhoso, mas na prática, aparecem os problemas. No papel o cristianismo também é lindo: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Na prática, o cristianismo foi só isso? Creio que não. Acho que é necessário ter a mesma desconfiança em relação à ciência. Ela se diz amante da liberdade de pensamento e do bem da humanidade. Mas será que na prática é (e foi) assim mesmo?
        Por último, sobre a religiosidade das pessoas na contemporaneidade: materialismo, individualismo e capitalismo não significam, necessariamente, irreligiosidade. Pessoas podem ser extremamente materialistas e religiosas ao mesmo tempo. Veja como os evangélicos aqui no Brasil são EXTREMAMENTE materialistas, capitalistas e individualistas. O calvinismo, que já é bem antigo, não vê problemas em ser capitalista e religioso. Essa coisa de recusa aos bens materiais (desapego) não é pregado por todas as religiões. O que eu argumentei é que as pessoas estão migrando da religiosidade tradicional para outro tipo de religiosidade, calcada em superstições como a (horrenda) auto-ajuda, por exemplo. E, sinceramente, em muitos sentidos isso é bem pior.
        Abraços e obrigado pelo debate.

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      • Giuliano
        27 de julho de 2016

        Olá Tiago, agradeço muito sua resposta! Agora ficou mais claro para mim a sua posição sobre os assuntos. Confesso que está sendo de grande valia esta conversa com você. Quanto ao relativismo cultural, entendi o que você disse e concordo com esta linha de pensamento. As perguntas que fiz ou que deixei no ar não eram para ser um argumento, apenas uma reflexão ou dúvida na qual me encontro quando busco compreender casos extremos através do relativismo cultural. Não quis defender o fato de culturas poderem se auto referendar significa necessariamente apoiar a mutilação genital. Desculpe se pareceu que quis dizer isso.
        Quanto a sua comparação da ordenação de monges com à obrigação de ir à escola no ocidente, concordo plenamente com você.

        Sobre ateísmo, do seu primeiro comentário havia entendido que achava que a não crença em Deus sempre seria uma doutrina. Acho que foi um engano.
        Quanto à relação entre comunismo, ateísmo e ciência não sei muito a respeito, o que disse sobre o comunismo de verdade nunca ter existido é o que ouço dos comunistas, preciso inclusive pesquisar mais a respeito. Não sou comunista e talvez esteja certo em sua comparação com o que os religiosos dizem. No entanto, o que quis dizer no meu comentário anterior é que não tenho certeza se é justo estabelecer uma relação inerente entre uma instituição (no caso Igreja) com um sistema de crença e valores. Por exemplo, no papel o cristianismo é perfeito. Mas na prática, a história do cristianismo tem vários aspectos sombrios(como você mesmo disse). O que não sei se é justo culpar a ideia ou inferiorizá-la ou estereotipá-la pelas atitudes das pessoas ou governos que supostamente as representam. Não estou dizendo que fez isso, apenas que algumas pessoas atribuem à simples crença em Deus ou sua ausência a responsabilidade de algumas atrocidades cometidas pela Igreja como a tortura na Inquisição etc…justificando determinada posição, quando na verdade acredito que o erro está na instituição, em sua estrutura, nas intenções das pessoas que governam, nas falhas das pessoas que, devido ao fato da teoria não ser igual à prática, não necessariamente são coerentes com as ideias que defendem. Entretanto, acho que a proximidade entre o que uma pessoa acredita e suas ações depende da própria pessoa, da sua força de vontade em ser fiel ao seu discernimento do que é certo ou errado. Como disse, as crenças ou a ausência delas estão muito longe de serem as únicas coisas que moldam o perfil (ou personalidade) de um pessoa e por extensão de um governante.

        Sobre ciência, não acho que ela é ou sempre foi uma “santa”. Claro que tem suas mãos manchadas de sangue também. A ciência é uma atividade humana, sujeita ao poder dominante, e que muitas vezes o serve, infelizmente(muitas vezes surge pseudociências para justificarem certas coisas como a inferioridade da raça negra como disse, além da indústria farmacêutica etc). Acho que o que define se a ciência trará benefícios ou malefícios é quem a usa, ela não é inerentemente boa nem má.
        Concordo com você que devemos desconfiar até mesmo da ciência, não aceitando qualquer resultado sem antes verificar a validade dos dados, da reputação dos pesquisadores, etc. Não quis me parecer com um religioso falando sobre sua fé ao falar sobre a minha admiração à ciência, mas se eu não confiar no trabalho da comunidade científica, mesmo ciente de todas estas limitações e críticas relevantes, não sei se há outra forma mais segura de adquirir conhecimento.

        Sobre a religiosidade na contemporaneidade, entendi melhor seu ponto de vista e sob sua ótica, faz sentido.

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      • Giuliano
        27 de julho de 2016

        Obrigado pela conversa e abraços!

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  15. Rodrigo Guimarães Rosa
    22 de junho de 2016

    Eu só gostaria q me explicassem sobre a evolução das descobertas da física quântica! Como q a ciência e a religião nao são compatíveis?
    O novo testamento fala de física quântica, é só prestarmos atenção!

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    • Rafael Paz
      18 de julho de 2016

      “O novo testamento fala de física quântica, é só prestarmos atenção!”, KKKKKKKKKKKKKK
      Com certeza, e Jesus também fala de lógica Booleana (0 e 1) quando diz: “seja o teu falar Sim, Sim ou Não, Não”… kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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