O Meio e o Si

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Agenda política americana

politica americana

  Autor convidado: Marcello Averbug (economista e escritor)

Residindo nos Estados Unidos há mais de vinte anos, nunca  presenciei cenário politico interno tão desestimulante como o atual. Fruto dos desempenhos enfadonho do Partido Democrata e pirotécnico do Partido Republicano, esse cenário tornou-se pouco inspirador para aqueles eleitores mais interessados na superação dos problemas nacionais do que nas picuinhas partidárias.

No Congresso, os senadores e deputados republicanos se esmeram em exibir comportamento cujas motivações limitam-se a danificar o funcionamento do governo Obama e ampliar ao máximo as vantagens usufruídas pelas classes sociais privilegiadas. Com constantes ameaças de paralisar a máquina administrativa federal, mediante dispositivos peculiares ao sistema legislativo americano, a ala radical de direita dos parlamentares republicanos tenta bloquear qualquer projeto de lei que não se enquadre 100% em seu apetite, assim como impingir propostas de caráter retrógado, repudiando negociações conciliadoras.

Por outro lado, a acentuada divisão interna do partido vem resultando em fatos como a recente renúncia do presidente da Câmara de Deputados, o republicano moderado John Boehner, e o cômico, se não fosse trágico, elenco de candidatos à Casa Branca. A disputa entre as várias facções impregna de incertezas a hipótese de os republicanos assumirem a presidência. Isto é: qual facção comandaria o país? Talvez a escolha de Paul Ryan como sucessor de John Boehner contribua para o início de entendimento entre os grupos em conflito.

No lado do Partido Democrata o panorama tampouco é digno de euforia. Além de terem atuado de forma decepcionante como oposição a George Bush, os democratas até recentemente vinham titubeando no patrocínio a iniciativas visando maior equidade social, proteção ambiental e outros itens básicos da antiga candidatura Obama à presidência. Desprovidos de uma bandeira  empolgante, tornaram-se minoria no congresso e perderam vários governos estaduais. Até agora não surgiu uma nova safra de lideranças capazes de promover, em curto prazo, a recuperação eleitoral do partido nas diversas  esferas de poder.

Antes do primeiro debate televisionado entre seus candidatos à presidência, ocorrido em 13 de outubro, parecia provável que se mantivessem a Casa Branca seria devido à debilidade do candidato oponente, do Partido Republicano. Até então prevalecia a crença de que o dilema dos democratas consistia na carência de alternativas à Hillary Clinton. Apesar do brilho de seu nome ofuscar as chances de outros pretendentes dentro do partido, a verdade é que grande parte dos americanos sentia-se cansada de sua longa presença na ribalta. Porém, o mencionado debate revigorou a candidatura Hillary e revelou ser difícil encontrar alguém mais bem preparado para comandar o país. O outro concorrente democrata mais em destaque, senador Bernie Sanders, arrebata multidões às suas apresentações e pratica um discurso atraente, mas é impensável a possibilidade de um declarado socialista com mais de setenta anos ser eleito presidente.

A despeito da pouco entusiasmante conjuntura partidária, acredito que a médio e longo prazo uma promissora geração de políticos emergirá, desalojando o ranço radical da direita conservadora, assim como atribuindo maior substância à esquerda liberal. Essa crença provém de fatores tais como a demonstração de lucidez social entre os universitários e as crescentes curiosidade intelectual e mentalidade empreendedora da juventude americana em geral. Esses dois fatores induzem um processo de inovação no organismo político-econômico americano, com múltiplos impactos positivos sobre o futuro dos Estados Unidos.

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