O Meio e o Si

Seu blog de variedades, do trivial ao existencial.

Obrigado, Spider

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Após a primeira luta entre Anderson Silva e Chris Weidman, escrevi o post Amargo fim de uma era, onde em resumo concluía que o brasileiro havia perdido para si próprio. De fato, aquela luta deixara uma pulga atrás da orelha dos fãs e especialistas de MMA sobre a real capacidade de Weidman de derrotar o Spider. A revanche seria o tira-teima, a oportunidade de ver se realmente a primeira luta havia sido um mero incidente ou não. No entanto, acabado o segundo combate, da maneira que os fatos se desenrolaram, creio que a pulga ainda siga atrás da orelha de muita gente.

Weidman teve um primeiro round superior, dominando Anderson a maior parte do tempo. Mas isso não é novidade. Em muitas de suas vitórias, Anderson perdeu os primeiros rounds enquanto adaptava sua estratégia e esperava o momento certo para atacar. Em alguns casos, como na primeira luta contra Chael Sonnen, que inclusive tem estilo parecido ao de Weidman, foi dominado durante a luta inteira para então vencer em cima de um vacilo do adversário no fim do combate. O segundo round começou equilibrado, com os dois lutadores em pé encurtando distância, mas desta vez a luta acabou no infortúnio terrível que foi a fratura da perna do brasileiro.

Isso não tira o valor de Weidman que, no primeiro encontro teve a postura ousada de não se intimidar, e no segundo fez sua parte defendendo-se dos chutes da maneira correta, com o joelho. O atual campeão inclusive disse após a luta que havia defendido um chute de Anderson dessa maneira no primeiro round e sentira que havia machucado o brasileiro. Anderson portanto sabia do movimento do adversário mas arriscou outro chute mesmo assim. Teve sim uma infelicidade muito grande, pois raramente essa defesa leva a uma contusão tão grave. Portanto, se na primeira luta especulou-se que Anderson perdera para si próprio, desta vez pode-se especular que perdeu sobretudo para o azar.

Pessoalmente, em um cenário de derrota de Anderson, preferiria que Weidman tivesse ganhado de maneira “convencional”, fosse por pontos, nocaute ou finalização. Dessa forma ao menos colocaríamos um ponto final na estória. Da maneira que tudo ocorreu, ficou faltando uma resolução – como uma música que termina na nota errada. Se por um lado as circunstâncias anormais das duas lutas favorecem o legado de Anderson (ao menos aos que queiram lhe dar o benefício da dúvida e achar que em condições naturais haveria vencido), acabar a carreira com uma derrota mais conclusiva traria maior grandeza ao espetáculo. Significaria a passagem de bastão honrosa, do maior campeão da história do UFC, para uma jovem estrela da nova geração. Seria um processo saudável e natural dentro do esporte.

Não acredito que Anderson, na sua idade, queira retornar ao octógono depois de duas derrotas tão traumáticas. Espero que não volte, pois perto dos 40 e saindo de contusão grave, correria o risco de sofrer mais derrotas e ter um fim de carreira melancólico, a exemplo de outros ídolos como Randy Couture e Chuck Liddell. Talvez tente ainda a sonhada luta de boxe contra Roy Jones Jr., até porque exigiria menos de sua perna, e esse sim poderia ser um combate interessante.

Independentemente do que faça, nos resta aos fãs de lutas agradecer a Anderson Silva pela brilhante carreira que nos proporcionou, tendo sido, sem dúvidas, o maior e mais diferenciado lutador de MMA de todos os tempos.

4 comentários em “Obrigado, Spider

  1. Fred
    31 de dezembro de 2013

    Não sigo tb (por acaso foi a primeira vez que vi o UFC), mas achei muito boa foi a atitude do americano dentro do ringue e após a fratura. Soube vencer, o que é até mais difícil do que saber perder. Não acompanhei o Spider então não posso opinar sobre a carreira e atitudes dele, mas duvido também que com 38 anos e uma fratura daquelas, ele volte a ser líder em um esporte como esse. Se tivesse que apostar, diria que a carreira de lutador dele acabou. Mas pelo que vc, todo mundo, e o Weidman dizem, o cara continua sendo o melhor até agora.

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    • O Meio e o Si
      31 de dezembro de 2013

      Fred,
      O Anderson é (foi?) muito diferenciado, uma espécie de bailarino dos ringues. Na minha opinião o mais espetacular lutador que existiu até hoje.
      Quanto a voltar, também acho difícil, embora ele tenha dito hoje que vai querer voltar a treinar o quanto antes. Quem sabe esse drama não era a grande motivação que alguns diziam que já lhe faltava… Minha única preocupação, como já disse, é ele ter um final de carreira melancólico.
      Abraços!

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  2. Jose Augusto Carvalho
    30 de dezembro de 2013

    Muito bom, Andre, apesar de eu nao acompanhar muito o UFC.Abs, JA

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Publicado às 29 de dezembro de 2013 por em ARTE & ENTRETENIMENTO, Uncategorized e marcado , , , , , , .

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